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Pense num poeta arretado. Severino Pinto, o poeta do improviso dos sertões nordestinos.

  • Foto do escritor: Jcampinense Diniz
    Jcampinense Diniz
  • 1 de jan. de 2020
  • 3 min de leitura

Naturalidade: Monteiro – PB

Nascimento: 21 de novembro de 1895 / Falecimento: 28 de outubro de 1990.

Atividades artístico-culturais: Poeta popular, compositor, cantador e improvisador brasileiro.

Filho de um tropeiro com uma doméstica, Severino Lourenço da Silva Pinto, ou simplesmente, Pinto do Monteiro experimentou muitas profissões antes de se dedicar inteiramente à viola: de vaqueiro, soldado de polícia, auxiliar de enfermeiro a vendedor de cuscuz no Recife.

“Depois larguei os cuscuz e ficava cantando na calçada do mercado de São José”, declarara o próprio Pinto. Recordava outra vez que, ao cantar como estreante, alguém o alertou: “Se você continuar vai cantar de assombrar o mundo”. E assombrou.

Aprendeu a ler e a escrever quando adulto, iniciando sua vida artística aos 25 anos de idade. Teve como mestres de cantoria Saturnino Mandu, Manoel Clementino e José de Lima forte. Mudou-se para Recife, onde expandiu sua experiência e cantou com diversos repentistas.

Em 1940, viajou para o Amazonas, onde até 1946 exerceu as funções de guarda do serviço contra a malária em Porto Velho, Guajaramirim e em Boa Vista. A saudade do nordeste o trouxe de volta, levando-o a morar no Ceará. Posteriormente, mudou para Caruaru (PE) e por fim para a cidade de Sertânea (PE), mais próxima de sua terra natal, Monteiro.

A naturalidade e rapidez de improviso na construção dos versos eram características marcantes em sua cantoria. Cognominado “A Cascavel do Repente”, o repentista era ágil, certeiro, veloz, e também venenoso e mortífero, se provocado não tinha papas na língua nem conveniências. E o contendor era obrigado a recuar porque, com sua peculiar fertilidade de versejar, era capaz de fazer uma segunda sextilha antes que o outro se refizesse do choque da primeira resposta.

Percorreu o país encontrando-se e duelando com diversos repentistas. Seus versos foram registrados em dois LPs: Pinto de Monteiro e Zé Pequeno: Acelerando nas asas do juízo, lançado de forma independente, e Pinto de Monteiro: Vida, poesia e verdade, lançado pela Fundação Joaquim Nabuco.

Teve sua imagem e voz registradas em fitas de vídeo, super-8, fitas cassete e cinema. Em 1985 foi criado pelo Centro de Estudos e de Documentação da História Brasileira – Cehibra, da Fundação Joaquim Nabuco, o Projeto Memória Fonográfica, dirigido pelo pesquisador Renato Phaelante, e no mesmo ano foi lançado o LP “Pinto do Monteiro – Vida, poesia e verdade”.

A partir de gravações realizadas com o poeta às vésperas de completar 90 anos, ele relembra seus encontros com figuras políticas brasileiras como Barbosa Lima Sobrinho, José Américo de Almeida, o Ministro João Alberto e o ex-governador de São Paulo Ademar de Barros; bem como são relembrados caôs de sua vida de vaqueiro e cantador e famosos desafios com Lourival Batista e com Gato Preto.

Em 2000, o cantor e compositor pernambucano Antônio Nóbrega, no CD “Madeira que cupim não rói”, fez referência ao poeta na música “Sambada dos mestres”, em sua parceria com Wilson Freire na qual canta: “No improviso da viola/de todos sou o primeiro/porque sou cobra criada/pelo Pinto de Monteiro”.

Em 2010, foi lançado pela Fundação Joaquim Nabuco, do Recife, o CD “Pinto do Monteiro – Vida, poesia e verdade” Uma remasterização do LP lançado em 1985 com depoimentos e cantorias do poeta e repentista.

Trecho do repente de Pinto do Monteiro “Porque deixei de cantar”:

Recebi mais de um poema Fazendo interrogação Porque eu da profissão Mudei de rumo e sistema Resolverei um problema De não poder tolerar Muita gente a perguntar Ansiosa para saber Em verso vou responder por que deixei de cantar

Deixei porque a idade Já está muito avançada A lembrança está cansada O som menos da metade Perdi a facilidade Que em moço possuía Acabou-se a energia Da máquina de fazer verso Hoje eu vivo submerso Num mar de melancolia…

Fontes:


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